Alunas do ECCO recebem honrarias no 1º Prêmio Estadual Tereza de Benguela

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Por Assessoria

Três alunas do Programa de Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) receberam homenagens no 1º Prêmio Estadual Tereza de Benguela realizado quinta-feira (18) no teatro Zulmira Canavarros em Cuiabá/MT. Uma das alunas recebeu de aplausos de moção pela promoção de diálogos sobre a diáspora africana. Como outros dois foram premiados em suas categorias de suas fazimentos enquanto quilombolas e fazeduras profissionais.

Para Naryanne Ramos, advogada, mestranda do ECCO – linha de pesquisa Episteme Contemporânea – especialista em Gestão Pública e Direito Previdenciário, vice-presidente da Comissão Estadual de Defesa da Igualdade Racial da OAB-MT, o prêmio é ressifignicação da resistência da população negra. “Meus passos vêm de muito longe, e eu sou grata as minhas Ancestralidade e Grios por permitir chegar aonde estou.”

Ela recebeu a premiação Tereza de Benguela na categoria Ativista do Direito. Natural de Vila Bela da Santíssima Trindade, Naryanne é quilombola e uma das vozes que lutam para a aplicabilidade das leis brasileiras que tratam sobre equidade, igualdade e justiça social.

Mestranda do ECCO Laura Ferreira da Silva recebeu a premiação Tereza de Benguela na categoria Liderança Quilombola Destaque

Outra aluna premiada do ECOO foi Laura Ferreira da Silva, professora, mestranda do ECCO – linha de pesquisa Comunicação e Mediações Culturais, líder quilombola da Comunidade Mutuca – Território do Mata Cavalo, membra da Associação das Famílias do Ribeirão da Mutuca situada em Nossa Senhora do Livramento. Na noite em que foram entregues 22 premiações, 115 homenagens e 10 honrarias, Laura recebeu a presidente Tereza de Benguela na categoria Liderança Quilombola Destaque.

Garantia dos direitos dos quilombolas, combate ao racismo, preservação da história e cultura dos quilombolas são algumas das pautas em que a mestranda Laura atua em sua comunidade. Ela leva essas temáticas para as atividades, leituras e debates na academia. “Esse prêmio é para todos os que vieram antes de mim, que assim como eu, lutaram pela nossa comunidade. É importante esse reconhecimento por mim, por toda minha ancestralidade e pelos que virão.”

Pesquisadora Ana Lucialdo do ECCO (de vermelho) junto com Mariana Borealis (de transas longas) – premiada na categoria Música Afro, com Caju (1ª esquerda) e sua mãe, Dona Irene (última a direita), ambas receberam Moção de Aplausos

A terceira aluna do ECCO que foi agraciada com moção de aplausos foi Julianne Caju, Jornalista e Professora, doutoranda do ECCO na linha de pesquisa Comunicação e Mediações Culturais. Das atuações de Caju está a de promover diálogos sobre as histórias africanas, sobre a cultura afrodescendente e sobre as ressonâncias do racismo nos espaços que ela ocupa por causa de suas profissões. Além disso, ela colabora nas vendas dos doces caseiros de frutas que sua mãe produz há 34 anos. Inclusive sua mãe, Dona Irene, também foi homenageada com Moção de Aplausos.

“Foi muito emocionante estar ao lado de mulheres incríveis, especialmente minha mamãe, que teve que sair da casa da sua família aos 9 anos de idade para trabalhar nas casas de famílias ricas e brancas da capital. Ela fez dos doces seu ganha pão. E eu faço dos conhecimentos que adquiri, ferramentas para dialogar com as pessoas sobre sentir desconfortos em seus confortos”, afirmou Julianne Caju.

Para Ana Eliza Lucialdo, jornalista, profissional de marketing, especialista em economia criativa e doutoranda do ECCO, o 1º Prêmio Estadual Tereza de Benguela mostrou, destacou e reverenciou tudo que a população negra foi, é e continuará sendo: um povo que faz acontecer apesar das dificuldades.

“Ainda temos muito que avançar no combate ao racismo. Vejo que iniciativas como esse prêmio mostram a grandiosidade dos trabalhos que a população negra desenvolve há anos neste estado nos mais diferentes setores. Fiquei impressionada com tudo que vi, ouvi e senti. Ações como essas são mais que necessárias para refletir as causas e consequências das mazelas sociais, mas também para exaltar tudo que os pretos e as pretas fazem”, destacou Ana Lucialdo.

Prêmio – Foi realizado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso e pelo Coletivo Herdeiras do Quariterê com o objetivo de honrar, reverenciar e reconhecer as personalidades negras com diferentes atuações no estado de Mato Grosso. A premiação traz o nome da líder quilombola Tereza de Benguela que viveu no século XVIII às margens do rio Guaporé, em Vila Bela da Santíssima Trindade/MT. Por mais de 20 anos a Rainha Tereza de Benguela liderou mais de 3 mil pessoas no combate à escravidão, gestou a comunidade em todas as áreas através de um regime parlamentar e deixou um legado para toda a população negra.

O 1º Prêmio Estadual Teresa de Benguela faz parte as atividades do mês da Consciência Negra, bem como pela celebração do dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também Dia Nacional de Tereza de Benguela. Na ocasião desta data não foi possível realizar as honrarias por causa do isolamento social.

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